terça-feira, 25 de maio de 2010

Em São Paulo, a cada dois dias, um GCM se desliga do cargo

Léo Arcoverde
do Agora

Do dia 1º de janeiro até o último sábado, 72 guardas-civis metropolitanos da capital pediram baixa da corporação --um a cada dois dias--, aponta levantamento do Agora feito com base no "Diário Oficial" da Cidade. Vinte deles (27,77%) desistiram da carreira antes de completar os cinco meses do curso de formação.

A reportagem ouviu ontem quatro guardas que pediram demissão de fevereiro para cá. Um deles deixou a corporação para ingressar na Polícia Civil como investigador, um está trabalhando como analista de sistemas, uma está estudando para concursos públicos e a outra, procurando emprego de assistente social.

Os quatro são unânimes em pelo menos dois pontos: o salário-base (referência para aposentadoria) de R$ 534 --o quarto pior entre 38 cidades da Grande São Paulo-- e a falta de perspectiva de subir de cargo na carreira os levaram a desistir do emprego.

Fonte: http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u740239.shtml

25/05/2010

Pasta não se manifesta sobre o caso
Léo Arcoverde
do Agora

Procurada na tarde de ontem para se pronunciar sobre as demissões ocorridas na Guarda Civil Metropolitana entre 1º de janeiro e 22 de maio deste ano, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Segurança Urbana não havia respondido às perguntas feitas pela reportagem até a conclusão desta edição.

O Agora questionou o que a pasta tinha a dizer sobre o número de demissões e acerca das reclamações dos guardas-civis entrevistados, com relação aos baixos salários e à falta de perspectiva de subir de cargo na corporação. A reportagem também perguntou se a categoria não recebe aumento salarial desde 2004, como diz o Sindguardas (sindicato dos guardas-civis).
No final da tarde de ontem, funcionários da assessoria de imprensa informaram que teriam de consultar o setor de recursos humanos para checar o número de demissões e que a pasta só se pronunciaria hoje. No começo da noite, porém, a secretaria prometeu uma resposta para até as 20h, o que não aconteceu.

fonte: http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u740241.shtml

Governador do Estado de SP fala sobre Guardas Municipais que atuam em delegacias

sábado, 22 de maio de 2010

Inversão de valores: Fazer o que é certo, em ano eleitoral, se transforma em algo errado!

http://sol.sapo.pt/photos/anatarouca/images/233984/original.aspx

Leiam a matéria abaixo publicada no JT, tirem suas conclusões a respeito de um trabalho positivo que as GCM/SP vem realizando, e o uso político e subversivo que fazem, mesmo que a cidade, seus moradores e trabalhadores, sejam os maiores prejudicados. O Brasil caminha para uma espécie de protecionismo desmedido e infundado. Moradores de rua perambulam pela cidade, propagam a miséria e o ostracismo, acobertam entre eles viciados e delinqüentes, mas, quando surge uma política de reorganização das posturas municipais, que tem como principal objetivo levar dignidade e oportunidade à estas pessoas, intitulados defensores sei lá do que tendem a incitar a revolta apenas sobre a ação da Guarda Municipal, nunca contra aqueles que insistem em ser ímpar em uma sociedade prospera e produtiva. É mais um meio de chamar a atenção para si, subvertendo os princípios norteadores do que se espera de uma sociedade justa e perfeita.

Vejam o que escreveu o jornal:

"Movimentos fazem protesto contra a GCM"

Manifestação organizada por movimentos sociais e religiosos ontem, no centro, denunciou ações violentas praticadas pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) contra moradores de rua. O ato, cujo principal objetivo foi chamar a atenção para a violência contra a população de rua, ocorreu dez dias após a chacina que matou seis pessoas sob um viaduto no Jaçanã, zona norte. Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, responsável pela GCM, não se manifestou sobre as acusações até o fechamento desta edição.

Segundo os sem-teto, a GCM tem feito abordagem com violência, às vezes arrancando cobertores e papelões, às vezes tirando-os a força do lugar onde estão acomodados. “Fraturei a minha bacia no começo do ano, quando um guarda me arrastou pelo chão enquanto eu dormia para tirar meu cobertor”, conta uma moradora de rua mostrando a cicatriz. Durante o protesto, estudantes da Faculdade de Direito da USP relataram ter presenciado cenas semelhantes no Largo de São Francisco, onde fica a instituição. “Os guardas arrancam os papelões que eles usam para se proteger do frio alegando que estão fazendo baderna”, conta uma das estudantes.

Depois de uma passeata, os manifestantes foram recebidos na Câmara Municipal pela Frente Parlamentar em Defesa das Pessoas em Situação de Rua, recentemente criada. Para a alemã Edwig Knist, que trabalha há 15 anos na Pastoral do Povo da Rua, “espera-se que a Frente tenha grande influência na discussão das políticas públicas para os moradores de rua, já que hoje não há uma solução integrada”.

O presidente da Frente, vereador Chico Macena (PT), anunciou ontem que vai protocolar um projeto de decreto legislativo para revogar a Portaria 105/10, da Prefeitura, que determina que a GCM tem responsabilidade pelos moradores de rua. Mariana Lenharo

Fonte: Jornal da Tarde

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Concurso para a Guarda Municipal de Itaquaquecetuba


Está aberto o período de inscrições para o próximo concurso da Prefeitura Municipal de Itaquaquecetuba/SP, que tem como objetivo o preenchimento de 200 vagas de guarda civil municipal.


A remuneração inerente ao cargo é de R$ 1.187,37 e a carga horária é de 200 horas mensais. Para ocupar a função, os interessados devem ter nível médio completo, idade entre 18 e 40 anos, altura mínima de 1,60m para mulheres e 1,65m para homens e, ainda, Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

As inscrições poderão ser realizadas até o dia 17 de maio, via internet, no site da Omega Consultoria e Planejamento (http://www.omegaitu.com.br/), organizadora do concurso; ou presencialmente, em dias úteis, das 9 às 16h, na Secretaria de Segurança, situada na avenida José Barbosa de Araújo, nº 141, na Vila Virgínia. A taxa é de R$ 40,00.

O concurso será composto por prova objetiva e teste de aptidão física. Ambas as etapas serão aplicadas em dia, horário e local divulgados, oportunamente, pela comissão de organizadores da seleção.

Lançada no Congresso Nacional a Frente Parlamentar Pró Guardas Municipais



No dia 19 de maio de 2010, na sede da Câmara dos Deputados, em Brasília, as Guardas Municipais deram mais um passo rumo ao seu desenvolvimento e à sua união de fortalecimento. Com iniciativa adotada pelo Deputado Federal Vicentinho e apoiada por mais de 240 parlamentares, foi lançada na capital do Brasil a Frente Parlamentar Pró Guardas Municipais.


As Frentes Parlamentares são atuações sérias e voltadas para a promoção dos interesses de vários segmentos. Elas existem oficialmente, possuem membros natos e representatividade junto aos poderes públicos, principalmente, junto ao Congresso Nacional. Para que possam existir é necessária a adesão de, no mínimo, 171 Deputados Federais, que declaram expressamente seu apoio e disposição de vontade em ajudá-las.


As Guardas Municipais já contavam com o apoio informal de muitos deputados. Contudo, depois de longa data de espera tornou-se oficial a ratificação do apoio dos parlamentares através da instituição da Frente Parlamentar Pró Guardas Municipais.


Na solenidade presidida pelo Deputado Vicentinho, que na ocasião foi aclamado por todos para ser o presidente da Frente Parlamentar, estiveram presentes vários Deputados Federais, os quais ressaltaram o importante papel que as Guardas Municipais vêem desempenhando na proteção da sociedade brasileira.

Estiveram presentes em Brasília integrantes de inúmeras guardas municipais representando todas as regiões do Brasil. Vale lembrar que esse movimento não teria ganhado força e não teria acontecido sem o apoio de prefeitos, comandantes de guardas municipais e, principalmente, dos sindicatos e associações que atuam nesse segmento


Com a instituição da Frente Parlamentar os projetos de lei e emendas constitucionais que tramitam no Congresso Nacional passarão a ter atenção especial, com isso, maiores probabilidades de serem aprovados.

Texto: Inspetor Bazzana

Fonte: Blog da Associação de Inspetores das Guardas Municipais

terça-feira, 18 de maio de 2010

A Polícia e o recente cúmulo do absurdo.

A Polícia e o recente cúmulo do absurdo.

(Archimedes Marques)

O Brasil assistiu atônito e incrédulo, a divulgação na imprensa televisada, falada, escrita e virtual, sobre um fato policial diferente dos tantos outros relacionados ao mesmo tipo penal que ocorre diariamente em todo lugar: O roubo ocorrido contra uma comerciante no interior de São Paulo certamente teria passado despercebido se não tivesse ocorrido dentro de uma Delegacia de Polícia, em tese, um dos lugares mais seguros que há.

A cidadã de posse de uma quantia superior a R$ 13 mil reais acondicionados em sua bolsa, teria se dirigido até a Delegacia de Salto, na região de Sorocaba, em São Paulo, no sentido de registrar uma ocorrência policial dando conta de que o seu número de telefone celular estaria clonado, e ali, na sala de espera, fora abordada por um marginal que tomou à força a sua bolsa.

Desprende-se das diversas reportagens que o delinqüente que provavelmente vinha seguindo a comerciante desde a retirada da referida quantia em banco, agrediu e roubou a bolsa da vítima, tudo isso ocorrido no interior dessa Delegacia de Policia em que estavam presentes, além de outras pessoas comuns, três funcionários, provavelmente dos quadros da Policia Civil daquele Estado, que assistiram imóveis e sem esboçarem quaisquer tipos de reação ao ato criminoso que lhes eram obrigatórios devido às suas supostas funções policiais inerentes.

Consta que a vítima reagiu ao assalto e chegou a entrar em luta corporal com o seu agressor por duas vezes, dado ao fato de que na primeira investida ela teria levado a melhor e conseguido jogar a sua bolsa por cima do balcão justamente para onde estavam dois funcionários da Delegacia, destarte, que na segunda investida e tentativa para retomar a sua bolsa das mãos do bandido que ainda tivera tempo suficiente para pular o balcão de ida e volta, fora a vítima refreada da sua ação pela voz do marginal que ordenara ao seu comparsa que estava do lado de fora do recinto para atirar na mesma, fato que não ocorreu.

Momentos depois, a reativa e corajosa vitima ainda indignada, e com toda razão, desabafou para um canal de televisão que cobriu o fato:

- O Escrivão depois disse que não intercedeu porque ele achou que era uma briga de marido e mulher. Eu achei o cúmulo do absurdo. Fosse briga de marido e mulher, fosse briga de vizinho, o mínimo que eles podiam fazer era intervir. Eu posso ser assaltada no supermercado, na rua, no cinema, na praça, na calçada, no portão da minha casa, mas nunca dentro de uma Delegacia.

O trabalho do Policial é árduo, perigoso e estressante, por isso, exige prudência, perseverança, amor a profissão e capacidade de concentração aguçada com equilíbrio e razoabilidade nos seus atos para que não ocorram os deslizes, mas nesse fato, se é como fora pintado, teriam realmente os referidos servidores obrigação de intercederem no evento criminoso mesmo que se isso valesse as suas próprias vidas.

Tal fato altamente negativo atinge em cheio todas as Instituições policiais do nosso país, vez que o povo nunca faz distinção entre as polícias. Para a esmagadora parte da população a Polícia é uma só e dela todos esperam a proteção devida conforme estabelece a Constituição Federal.

É evidente que os três funcionários que estavam presentes na Delegacia devem ser investigados com toda a isenção ou rigor possível pela Corregedoria de Policia Civil de São Paulo, dando-lhes todos os direitos de ampla defesa inerentes e, se forem considerados culpados, punidos na forma das Leis Administrativa e Penal.

É evidente também que a vítima deve ser reembolsada do seu prejuízo financeiro pelo Estado, não com um processo demorado e burocrático que leva anos para resolução com recursos e tudo mais, e sim, através de uma Ação rápida que restabeleça a vítima e ao povo o respeito pelas nossas instituições públicas, vez que de resto, ao plano geral, no fundo, o Estado é o principal responsável por tal ocorrido por não dispor de Policiais suficientes para guarnecer a Delegacia.

Do crime de roubo praticado por tais marginais, que pode decorrer outros crimes inerentes aos funcionários públicos presentes demonstram a vulnerabilidade existente em nossas Polícias. Não só na Polícia Civil daquele Estado, mas em todas as Polícias do Brasil que foram corroídas por várias eras, em diversos Governos passados.

A segurança pública sempre foi esquecida e sucateada através dos anos. As Polícias sempre foram relegadas ao segundo plano, principalmente no que tange a valorização profissional dos seus membros. Com raras exceções, poucas conquistas foram alcançadas pelas classes policiais em alguns Estados da Nação.

O tempo passa e com ele a nossa credibilidade perante a opinião do povo vai ficando cada vez mais distante, com isso as nossas lutas são inglórias. Os nossos Projetos de Emendas a Constituição se arrastam por anos a fio no Congresso Nacional sem solução alguma. O povo já não confia mais na sua Polícia e, fatos negativos como esse assalto dentro de uma Delegacia de Polícia nos leva cada vez mais para baixo.

Com a credibilidade policial em baixa aumentam-se as estatísticas enganosas colocando os níveis da violência urbana em melhores patamares, quando na verdade é o contrário, pois o povo deixa de registrar principalmente ocorrências de fraudes, furtos e roubos por não mais acreditar na sua Polícia.

Com isso os Governos repassam esses dados não condizentes como se verdadeiros fossem para o povo enaltecendo as suas gestões de segurança pública e até gastando fábulas com propagandas baseadas em erros, não por números maquiados, e sim em decorrência da falta absoluta de confiança da população nas ações policiais.

Diante da real falta de credibilidade e da perda da confiança do povo nas ações da sua Polícia com o conseqüente desleixe estatal para com as nossas instituições, devemos, pois, lutar por uma Polícia verdadeiramente forte, por uma Polícia única como ótima opção para resolução da problemática.

O tempo de briga por moedas e migalhas deve ficar para trás. Devemos recolher as nossas desavenças, esquecer de vez as medições de poder ainda existente entre as Polícias Civil e Militar, que fazem com que fiquemos com forças divididas e partir para uma luta mais sólida e dignificante.

Nós somos agentes de transformação social e não somos analfabetos políticos nem tampouco devemos pensar em desestabilizar governo algum, devemos sim, lutarmos para mostrar a nossa grandeza através da habilidade porque também entendemos de técnicas dialógicas e não só do combate ao crime pela força.

Devemos lutar pelo que merecemos através da perspicácia, pois assimilamos uma verdade que não é só nossa e sim da população que clama por uma segurança pública justa e eficaz.

Devemos lutar pela nossa valorização profissional de maneira zelosa porque discutimos sobre a sociedade e é dessa mesma sociedade o desejo de ter uma Polícia forte e eficiente para a conseqüente proteção do bem comum.

Para chegarmos a esse patamar superior, não devemos usar a linguagem beligerante nem tampouco arrogante ou desafiante, e sim, a linguagem inteligente do consenso para a recondução da razão instrumental em busca daquilo que achamos satisfatório para a possível Polícia unificada e ideal para o povo, pois é do povo a nossa razão de existência.

Juntos, resgataremos a nossa dignidade perdida, a confiança e a credibilidade do povo, pois passaremos a ser uma entidade policial verdadeiramente forte.

(Delegado de Policia. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

sábado, 15 de maio de 2010

Parem o mundo que eu quero descer, parte 2!!! Ladrões trancam a Base da Polícia Militar para roubar banco

Parem o mundo que eu quero descer!!! Mulher é roubada dentro de delegacia de polícia???

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Rota prende três e encontra cartas ordenando ataques

Cartas do PCC com ordens para atacar ônibus, escolas, postos da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar foram apreendidas com três homens na noite de terça-feira, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Na ocasião, foram presos os irmãos Cláudio e Edson dos Santos Nascimento e Johnny Antonio da Silva.

Segunda a polícia, o sargento Diogo e os soldados Rodrigues, Ruiz e Renato, da viatura 91124 da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), faziam patrulhamento na Rua Juruaia, Jardim Macedo, quando avistaram os três homens. Os suspeitos ocupavam o Palio DOG-9297/SP.

Segundo a Polícia Militar, assim que viram a viatura da Rota, os três homens tentaram fugir. Durante a abordagem, os PMs revistaram os acusados e vistoriaram o veículo. Cláudio portava uma pistola 45, Edson carregava uma pistola 380 mm e Johnny um revólver calibre 38.

Os PMs também receberam a informação de que na casa de Cláudio havia uma metralhadora. No imóvel, os PMs não localizaram a arma, mas acharam cinco cartas do PCC ordenando ataques. Numa das correspondências havia o endereço do 32º Batalhão em Suzano.

Os presos foram levados para o Deic. Os dois irmãos eram foragidos da Justiça. J.J.

Fonte: http://www.jt.com.br/editorias/2010/05/14/ger-1.94.4.20100514.10.1.xml

quinta-feira, 13 de maio de 2010

DIA 19/05 - LANÇAMENTO DA FRENTE PARLAMENTAR PRÓ-GUARDAS MUNICIPAIS


INFORMATIVO SINDGUARDAS-SP/2010

FRENTE PARLAMENTAR PRÓ-GUARDAS MUNICIPAIS

O SINDGUARDAS-SP convida a todos os integrantes da GCM-SP e demais Guardas Municipais para participarem do lançamento da FRENTE PARLAMENTAR PRÓ GUARDAS MUNICIPAIS.

O evento de lançamento da Frente Parlamentar Pró Guardas Municipais será:

DIA 19 DE MAIO 2010

HORÁRIO: 14:00 HORAS

LOCAL: SALÃO NOBRE – CÂMARA DOS DEPUTADOS

O SINDGUARDAS-SP está disponibilizando um Ônibus para os interessados em participar do evento, faça sua inscrição pois as vagas são limitadas.

Saída dia 18/05/2010 às 15h00 – do Centro-SP.

Retorno dia 19/05/2010 às 19h00.

Não haverá custo do ônibus.

Faça sua reserva.

Informações:

' (11) 3231-0330 & 3231-4902 & 3258-8804

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ancora Datena se revolta com açõe judicial proposta por Associação de Guardas e promete campanha para desarmar as Guardas Municipais

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

As guardas municipais e seu mandato na segurança pública

Por Carolina de Mattos Ricardo*

O Brasil possui 786 municípios com guarda municipal (MUNIC2006, IBGE). Trata-se de um número considerável se levamos em conta os 5560 municípios brasileiros. As guardas existem há muito tempo, mas foi a partir de 2000, com a ampliação do papel dos municípios na segurança pública, que passaram a participar mais ativamente do debate sobre a segurança pública no país, ganhando visibilidade.

Desde então, as guardas vêm se fortalecendo e se constituindo em um importante ator no sistema de segurança pública no país. As guardas se organizaram e iniciaram o debate sobre a ampliação de seu poder de polícia. O governo federal investiu em formação e recursos para equipar e formar as guardas municipais, tendo, inclusive, elaborado uma matriz curricular nacional. Congressos e encontros de associações de guardas municipais se multiplicaram e passaram a ocorrer nos âmbitos regional, estadual e nacional.

No entanto, ao mesmo tempo em que houve esse fortalecimento, algumas fragilidades da organização atual das guardas municipais no Brasil ganharam destaque. A principal delas é uma espécie “crise identitária” que permeia as guardas municipais. A partir da pesquisa do IBGE sobre municípios brasileiros (MUNIC2006), percebe-se que a maioria dos comandos é composta por policiais civis, militares e federais (cerca de 55%) e em relação à formação e treinamento, cerca de 17% das guardas não oferecem treinamento ou formação aos profissionais que ingressam na corporação. Quando analisamos os tipos de atividades desempenhadas pelas guardas municipais, verifica-se um amplo conjunto, como proteção aos bens, serviços e instalações do município (95%), segurança em eventos e comemorações (84%), auxílio ao público (83%), ronda escolar (72%), auxílio à Polícia Militar (71%) e auxílio à Polícia Civil (55%). Os requisitos de ingresso e o próprio regime de trabalho a que se submetem são também extremamente variados.

O fato das suas atividades não se limitarem à proteção de bens, patrimônios e serviços municipais, de haver uma significativa porcentagem de guardas no país sem formação, o fato de boa parte das guardas serem comandadas por atores de outras forças de segurança: tudo isso dificulta a consolidação de uma identidade profissional.

Não há nada que defina a atribuição das guardas municipais além do parágrafo 8º do artigo 144 da Constituição Federal, que estabelece que às guardas municipais cabe a proteção de bens, serviços e instalações municipais, conforme dispuser a lei. Um detalhamento de sua atribuição fica a cargo das diferentes legislações municipais, que devem respeitar a definição ampla dada pela Constituição Federal, mas que podem variar consideravelmente de município para município. Como não há um padrão na sua atuação e tampouco uma diretriz clara que defina sua missão e que regulamente e oriente suas atividades, cada guarda municipal pode se conformar de acordo com as características locais. Isso não seria um problema se houvesse baliza anterior,

constitucional, que definisse mais claramente a missão e o mandato das guardas municipais, ao invés de mencionar vagamente suas atribuições.

Assim, esse vício de origem contribui para que o cenário em relação às suas características institucionais seja extremamente plural e pouco padronizado, reforçando sua crise de identidade institucional.1 A limitação da definição inicial sobre a atribuição das guardas municipais (que não define sua missão nem seu mandato) e a falta de uma regulamentação mais precisa implicam em dificuldades para o próprio trabalho cotidiano das guardas, que muitas vezes ficam sem saber o limite de sua atuação, que pode variar de acordo com o perfil do prefeito da vez, que pode entrar em conflito com as polícias estaduais, além de tornar mais difícil a fiscalização e controle sobre as suas atividades. Esse problema se agrava na medida em que, na prática, as guardas se tornam mais relevantes na atividade cotidiana do provimento da segurança. Boa parte da discussão em torno das guardas municipais se dá em relação à atribuição do poder de polícia às mesmas. No entanto, essa é uma discussão importante, mas secundária e que deve vir depois da análise mais aprofundada sobre qual é de fato o mandato das guardas municipais na segurança pública.

1 É importante ressaltar que, em se tratando de policiamento, a capacidade de se adaptar às características locais é essencial. E essa capacidade as guardas têm e não podem perder. Contudo essa capacidade será tanto mais efetiva e legítima, quando estiver balizada por um mandato mais claro para as guardas municipais. 2 Muniz e Junior, 2008, p. 31.

Assim, para valorizar e aprimorar o trabalho das guardas municipais no país, é necessário voltar o debate a esse ponto. Discutir e definir o mandato das guardas municipais significa muito mais do que discutir a atribuição do poder de polícia. Significa discutir o âmbito de sua atuação, ou seja, o objeto de sua atuação, com os requisitos e restrições, abrangência territorial e situações a serem trabalhadas. Significa, também, discutir o alcance da sua atuação, ou seja, a exclusividade, concorrência, sobreposição ou compartilhamento das atribuições (nesse caso, discutir em conjunto com a atribuição das outras forças policiais) e significa, por fim, discutir os contornos da sua atuação, com “modos e meios” de agir ou fazer, tipos particulares de capacidade de ação e os requisitos expressos em determinadas legislações, normas ou procedimentos2. Apenas com essa definição, em âmbito nacional, é que as guardas poderão seguir realizando seu trabalho como ator essencial ao sistema de segurança pública, respeitando e considerando as especificidades de cada localidade em que atuam. *Advogada e socióloga, mestre em Filosofia do Direito e Teoria Geral do Estado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, é coordenadora da Área de Gestão Local de Segurança Pública do Instituto Sou da Paz.

(artigo cedido ao Ilanud em junho de 2009)

sábado, 1 de maio de 2010

Parlamentares da cidade de Bauru/SP apresentam bons argumentos pela não contratação de Policiais Militares para o desempenho da atividade municipal

Contratação de PMs recebe críticas
Líderes de partido da situação e da oposição apontam problemas na contratação de PMs em dia de folga pela prefeitura
Monise Centurion
A notícia de que o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) irá enviar à Câmara Municipal de Bauru projeto de lei para contratar policiais militares em dia de folga, divulgada ontem pelo JC, gerou polêmica entre os parlamentares da cidade. A iniciativa que prevê pagamento de gratificação para profissionais, cuja atividade é de responsabilidade do Estado, e a possibilidade de submeter o PM a uma jornada ainda mais estressante foram alguns dos pontos abordados.

No entanto, os vereadores dizem que precisam analisar melhor a proposta. “Acho que em projetos polêmicos que nem este o prefeito devia conversar com os vereadores e falar o que ele pretende. Ele deveria ouvir a opinião dos vereadores, discutir a Guarda Municipal e consultar a gente. É um negócio polêmico. Quero conhecer primeiro a proposta”, afirma o tucano Marcelo Borges.

A medida que ficou conhecida em São Paulo por "Lei Kassab" já tem o aval do departamento Jurídico Municipal e abre a possibilidade de PMs fazerem escalas extras em dias de folga, para desempenhar serviços para o governo municipal. De um lado, a proposta ganha a defesa daqueles que consideram que o município deve investir em segurança pública para minimizar as deficiências no setor.

Mas em outras localidades, o programa ganhou críticas por institucionalizar o “bico” e exigir que o município consuma os já minguados recursos disponíveis em área que é de competência estadual. Em Bauru, 245 policiais do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPMI) já manifestaram interesse na atividade.

“Eu tenho a opinião de que a PM já trabalha em condições bastante adversas, que mexe com a questão psicológica do policial. Outra situação, o bico é institucionalizado. Não considero você empregar o PM via município para que ele, nos dias de folga, onde deveriam estar descansando, construindo relações com suas famílias, abdiquem de seu repouso para terem renda. Isso demonstra falência da remuneração da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que tem os piores salários da União”, afirma o vereador Roque Ferreira (PT).

Na opinião do petista, nada impede que a prefeitura crie, dentro do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) da Administração Geral que foi apresentado anteontem, uma nova carreira: a de agente de proteção de patrimônio público. “Aí sim você teria condições de proteger o patrimônio. Agora, em relação à Lei Kassab, acho que esta não seja a melhor política.”

Para Moisés Rossi (PPS), a escolha do convênio é do prefeito, mas particularmente é contra. “O policial militar já tem a carga horária dele e a gente vê muitos problemas emocionais. Isso vai sobrecarregar o homem. Acho incerto. Preferiria a instituição da Guarda Municipal. É temerário misturar o Estado com o município.” Roberval Sakai (PP) também concorda. “A prefeitura poderia abrir concurso para montar sua própria estrutura. Até a própria PM está com falta de homens e também não é correto ele trabalhar na hora da folga dele.”

O demista José Roberto Segalla (DEM) chegou a participar de uma reunião para discutir o tema. “Eu tenho um bocado de receio jurídico em problemas ocorridos com policiais que se encontrasse em horário de folga serem absolvidos pela corporação e não por quem estivesse remunerando eles, no caso a prefeitura. Mas preciso analisar melhor esse caso.”

O líder do prefeito, Renato Purini (PMDB), não vê problemas no convênio. “Enquanto não tem o novo Batalhão da PM, sou favorável. Surgiu a discussão da Guarda Municipal, que você tem que treinar, equipar, contratar. Se você tem essa opção, que já ocorre na cidade de São Paulo, que vem dando certo, não vejo porque você não fazer o convênio. Isso é para fortalecer a segurança, que é dever do Estado, mas infelizmente a gente está mais perto do problema. Se a gente tem condição de minimizar isso através de um convênio, não vejo porque não fazer.”

Em relação ao cansaço que supostamente os policiais poderiam ser submetidos, o peemedebista diz que “o próprio major Nelson Garcia Filho, do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPMI) afirmou em entrevista que haverá rotatividade. Além disso, o serviço é voluntário.”

O projeto de lei ainda será enviado pelo chefe do Executivo para a Câmara Municipal de Bauru. O anúncio foi feito anteontem pelo prefeito Rodrigo Agostinho.
Fonte: JCNet

Revista Veja São Paulo - Conheça Antonio Ferreira Pinto, o secretário de Segurança Pública

Em pouco mais de um ano, o ex-oficial da PM demitiu e expulsou 317 policiais civis e militares

Por Henrique Skujis | 05/05/2010

Pilhas e mais pilhas na mesa de Ferreira Pinto: 7 514 processos  administrativos contra policiais civis em um ano

Pilhas e mais pilhas na mesa de Ferreira Pinto: 7 514 processos administrativos contra policiais civis em um ano

por Fernando Moraes

Dois carros pretos, uma Blazer e uma Captiva, encostam diante do 91º Distrito Policial, na Avenida Doutor Gastão Vidigal, na Zona Oeste da cidade. Do primeiro, descem quatro seguranças — armados, mas discretos. Do segundo, salta um senhor de 66 anos, acompanhado de mais um brutamontes com uma pistola na cintura. Ele ajeita os óculos, abotoa o terno e, com as mãos para trás, entra na delegacia. Adianta-se às pessoas que aguardam a vez e, polidamente, pergunta pelo delegado. Os cidadãos, cansados pela espera, olham torto para quem parece, descaradamente, furar a fila. Passos tranquilos, como se andasse em casa, ele sobe as escadas e topa com o chefe do distrito, que não se dá conta da identidade daquele homem de cara fechada e cabelos brancos. “Prazer, Antonio Ferreira Pinto, secretário de Segurança Pública.”

O delegado gagueja um bocado, mas convida a inesperada visita para a sua sala. Logo, inicia-se uma conversa com cara de interrogatório. “Quantos inquéritos estão na sua mesa?”, “O atendimento ao público melhorou?”, “Receberam as novas viaturas?”, “A carceragem está em bom estado?” O secretário escuta queixas e elogios com atenção e vai ouvir o que têm a declarar os demais funcionários do distrito. “Sim, eu sei. A falta de escrivães é o gargalo da delegacia”, concorda com uma escrivã que pede mais contratações. “Mas vocês receberam os novos computadores e as novas impressoras, não?”, pondera. Pouco depois de uma hora de vistoria, Ferreira Pinto agradece a atenção, despede-se e embarca de volta no carro blindado.

O fato de não ser reconhecido pelos funcionários da delegacia não incomoda o secretário — nas outras sete visitas-surpresa feitas desde o começo do ano, ele também passou anônimo até se apresentar. Nascido no Tucuruvi, bairro da Zona Norte, filho único de um português que vendia verduras no Mercado Municipal, Antonio Ferreira Pinto assumiu o posto máximo da segurança do estado há pouco mais de um ano e não é de aparecer em reportagens. Os serviços prestados ao longo de sua carreira, no entanto, já deveriam ter lhe rendido mais fama. Para chegar ao topo, passou por desafios até mais duros que o atual. Em 2006, por exemplo, em meio às rebeliões e aos ataques promovidos pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), foi chamado pelo governador Cláudio Lembo para comandar a Secretaria da Administração Penitenciária, que ele mesmo havia criado a pedido do governador Luiz Antônio Fleury Filho dias depois da invasão do Carandiru, em 1992.

Fernando Moraes

Ida ao 91º  DP: ele não foi reconhecido pelos delegados nas oito visitas-surpresa  que fez desde janeiro

Ida ao 91º DP: ele não foi reconhecido pelos delegados nas oito visitas-surpresa que fez desde janeiro

“Assumi funções cruciais em dois dos momentos mais complicados da segurança pública: o Carandiru e o PCC”, diz Ferreira Pinto. “O que aconteceu no Pavilhão 9 foi um massacre”, afirma, sem demonstrar sombra de dúvida e dando a letra de que não tem papas na língua para, se necessário, criticar a instituição que comanda. Na época dos ataques covardes do PCC, chegou a ser acusado de usar dureza excessiva com os rebelados ao deixá-los por três semanas sentados em um pátio da penitenciária de Araraquara. “Não foi uma punição. Simplesmente eles destruíram tudo. Não havia onde colocar aqueles homens.”

A posse na Secretaria de Segurança Pública, em março de 2009, também ocorreu em ocasião conturbada. As corporações ainda digeriam a greve de 58 dias da Polícia Civil, que culminou no enfrentamento com a Polícia Militar nas imediações do Palácio do Governo em outubro de 2008. Além disso, o antecessor, Ronaldo Marzagão, pedira as contas devido ao acúmulo de denúncias de corrupção envolvendo seus comandados. A pior delas atingiu o ex-secretário adjunto Lauro Malheiros Neto, suspeito de cobrar propina para anular processos de punição contra policiais corruptos.

Quando já planejava se aposentar para afinal poder curtir a casa de madeira recém-construída em um condomínio fechado na Zona Norte (“Não tem uma viga de ferro nem de concreto”, orgulha-se), foi chamado pelo governador José Serra para apagar mais este incêndio. “Às vezes eu me sinto como o Gardelón”, brinca, referindo-se a um antigo personagem de Jô Soares, célebre pelo bordão “muy amigo” ao ser escalado para missões complicadas. “Não creio que seja uma sina. São desafios. E eu sempre me senti preparado para eles.”

Como andam os índices de criminalidade

Como andam os índices de criminalidade

Ao assumir o cargo, Ferreira Pinto falou em acalmar os ânimos das corporações, equipá-las, reduzir os crimes contra o patrimônio e, principalmente, combater a corrupção e os abusos de poder. Comprou, entre outros itens, quatro helicópteros, 1 700 viaturas, 15 000 computadores e garantiu que ninguém envolvido em denúncias graves ocuparia cargos de confiança em seu mandato. Desde então, começou a fazer uma faxina (ele não gosta do termo). Pela primeira vez na história, a corregedoria da Polícia Civil, à qual compete apurar denúncias contra policiais, passou a ser subordinada ao gabinete do secretário.

“É muito fácil declarar que sei da gravidade do fato e apenas mandar apurar”, afirma.“A responsabilidade também deve ser do titular da pasta.” De março de 2009 a março de 2010, instaurou 7 514 procedimentos contra policiais civis — nesse número estão incluídos desde processos por descumprimento de horário até desvios graves de comportamento. Foram 72 demissões, nove exonerações e 579 punições (suspensão, repreensão e advertência). “Mais do que os números, o importante é que a corregedoria passou a agir com rapidez e rigor”, diz Ferreira Pinto. “Quando eu cheguei, encontrei no Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado) gente suspeita de envolvimento com o PCC, e no Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) pessoas que haviam compactuado com o (megatraficante colombiano Juan Carlos) Abadía”, afirma. “Tirei sessenta pessoas logo de cara, e os envolvidos foram remanejados para delegacias afastadas ou até para funções administrativas.” Isso não significa, é claro, que esses policiais remanejados não continuem fazendo achaques por aí. A eventual expulsão dos suspeitos depende do término dos processos, o que, segundo a otimista previsão do secretário, pode ocorrer ainda neste ano. “Enquanto não houver certeza de que os corruptos realmente foram expulsos da corporação, fica uma sensação na população de que qualquer policial pode pertencer à parte podre da polícia”, diz o professor José dos Reis Santos Filho, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Situação de Violência do Departamento de Sociologia da Unesp. Um episódio que representa a linha dura da corregedoria aconteceu no último dia 13, quando o departamento armou uma emboscada para prender três policiais do Deic acusados de corrupção. A operação terminou em troca de tiros, atropelamento e a prisão de dois suspeitos.

Na Polícia Militar, dona da própria corregedoria e que vive um momento delicado devido às acusações contra policiais suspeitos do assassinato de um motoboy na semana retrasada, o número de investigados em 2009 foi o maior dos últimos cinco anos: 563. As demissões e expulsões (quando o policial militar perde a patente) somam 245 de março de 2009 a março de 2010. “Na PM, as punições sempre foram mais severas. Existem inúmeros casos de oficiais superiores demitidos. Mas na Civil não vinha sendo assim, principalmente dos anos 90 para cá. Por isso trouxe a corregedoria para o meu gabinete”, afirma Ferreira Pinto. Desde então sua mesa ganhou a companhia constante de uma pilha de processos, seus sábados viraram dia útil e a tal casa de madeira, onde vive com a segunda mulher e o enteado — que acaba de seguir os passos do padrasto e se formar na Academia de Polícia Militar do Barro Branco —, passou a ser seu refúgio apenas aos domingos.

A falta de tempo também não permite mais que ele leia seu autor predileto, o francês Saint-Exupéry. “Mas deixe claro aí que não é ‘O Pequeno Príncipe’. Gosto muito de ‘Voo Noturno’ e de ‘Terra dos Homens’.” Sua leitura agora se resume a livros jurídicos e, claro, às dezenas de processos administrativos. O secretário também deixou de jogar futebol de salão com os amigos e de ir ao Pacaembu assistir ao Corinthians, seu clube de coração. Mas ele continua caminhando por uma hora, a partir das 6h15, pelas alamedas arborizadas do condomínio e relaxando por trinta minutos na sauna de sua casa todas as manhãs, antes de ir para o trabalho. Ferreira Pinto é daqueles que sabem a escalação e lembram placares e detalhes de jogos antiquíssimos. “Ele sempre gostou de futebol. Na academia, toda vez era escalado para a seleção”, diz o coronel da reserva José Vicente da Silva Filho.

O também coronel da reserva Niomar Cyrne Bezerra, instrutor de Ferreira Pinto nos tempos da academia, lembra que Toninho, como o secretário era chamado entre os amigos, “tinha inteligência e sagacidade acima da média” e não se importava em dedicar dias de suas férias para dar aulas particulares aos aspirantes com dificuldade em matemática. “Era muito bonito ver um jovem com menos de 18 anos ajudando os garotos que poderiam ser reprovados.” O bom relacionamento que Ferreira Pinto mantém com seus pares da PM, no entanto, não impediu que, meses depois de assumir, ele mexesse em pontos nevrálgicos das atribuições da corporação da qual foi tenente em Bauru (1968 e 1969) e capitão em Ourinhos (1970 a 1979). “Antigamente, era difícil encontrar ladrão com revólver. Hoje, estão todos com fuzil.”

Se, por um lado, Ferreira Pinto reestruturou a Rota (“É um instrumento eficaz, que a gente não pode ter medo de usar, mas sem excessos”), por outro, proibiu a expedição de Termos Circunstanciados (espécie de Boletim de Ocorrência) e determinou que toda escolta de presos — seja entre unidades prisionais, seja para audiência, seja para atendimentos médicos — passasse a ser feita por policiais militares, e não mais pelos civis. A medida, tomada em agosto de 2009, provocou protestos veementes. “Sou amigo dele, mas fui contra, porque muitos policiais que deveriam estar na rua agora precisam ficar levando presos para lá e para cá”, diz o coronel Bezerrra. O objetivo da mudança, explica Ferreira Pinto, foi permitir que a Polícia Civil se dedicasse à investigação dos crimes e traçasse inquéritos mais elaborados. “Investigar é a essência da segurança pública.”

O secretário gosta de almoçar com velhos e novos amigos, mas evita os restaurantes das redondezas da secretaria, na Rua Líbero Badaró. “Tem muito assédio, muito pedido... Quando vou ao restaurante Itamarati saio com pelo menos duas solicitações de audiência”, conta, referindo-se a um restaurante muito frequentado por advogados. Seu esconderijo, agora revelado, é a Cantina Roperto, no Bixiga, onde ele possui uma mesa cativa. Lá costuma pedir peixe e, vez ou outra, reúne-se com delegados. “É para evitar que sejam vistos entrando no meu gabinete, fiquem marcados como amigo do secretário e passem a sofrer pressão.” Ele não come carne vermelha nem fritura. Aos domingos, adora fazer feira (no Tucuruvi) e gosta de ir à igreja. “Eu me apeguei muito a Deus em 1974, quando perdi minha filha, de 1 ano e meio.”

Patrícia foi vítima de um choque anafilático durante um procedimento odontológico. “Foi o momento mais triste da minha vida. A saudade fica para sempre.” À tarde, costuma pegar um filme policial ou de suspense no Shopping Iguatemi, onde, de vez em quando, compra uma camisa ou uma gravata. “Sou um cara de hábitos modestos.” Com a mulher, Denise, assessora da presidência da Sabesp, que conheceu quando trabalharam juntos na Secretaria de Administração Penitenciária, gosta de jantar no Magari, na Rua Amauri, e no A Bela Sintra, na Rua Bela Cintra, onde invariavelmente escolhe bacalhau. Em casa, recebe os amigos, muitos da corporação, com vinho chileno, charuto cubano, ao som de Chico Buarque. Tem três cachorros: um dachshund, um westie e um vira-lata com jeitão de pit bull, que recolheu da rua. “Cuidamos dele e chamamos o Doutor Pet, do programa da Record, para adestrar”, diz Denise, empunhando uma garrafinha para borrifar água caso Mike ouse desobedecer ao homem mais importante na segurança paulista.

Controlar Mike, no entanto, é fichinha perto das queixas que rondam o gabinete do secretário. Apesar da reclamação dos policiais, Ferreira Pinto acredita que gente é o que não falta na Secretaria de Segurança Pública. São 130 000 cargos (95 000 na PM e 35 000 na Polícia Civil), o mesmo contingente desde o início da gestão Mário Covas, em 1995, suficiente para dar tranquilidade aos 42 milhões de habitantes do estado. “O que é preciso é racionalizar o efetivo e a distribuição dos distritos”, afirma. “Piracicaba tem 370 000 moradores e conta com sete distritos. É muito.”

José M. Leal, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, discorda. Ele diz que nem todos os cargos estão ocupados. “É necessário abrir mais concursos. Precisamos de 150 delegados, sem falar de investigadores, escrivães, agentes...” O secretário informa que em breve serão abertos 777 cargos de escrivão, que devem entrar no lugar dos quase 1 000 cargos de carcereiro, já que hoje poucas delegacias contam com cadeia. Dos 158 000 presos do estado, 9 400 estão em delegacias — um avanço conquistado durante a gestão de Ferreira Pinto à frente da Secretaria de Administração Penitenciária, de 2006 a 2009, quando 13 700 detentos se encontravam nessa situação. Quanto à questão salarial, outra demanda recorrente da polícia (e de quase todo lugar), o secretário mostra desconforto com o fato de a unidade mais rica da federação pagar o vigésimo pior salário (5 243,30 reais) para delegados em início de carreira).

O novo momento da segurança pública paulista surge também nos números. Todos os indicadores criminais, exceto homicídios e roubos a banco, caíram no primeiro trimestre de 2010 em relação ao trimestre anterior e igualmente se comparados ao mesmo período do ano passado. Os latrocínios (roubos seguidos de morte) despencaram 22%. Já os homicídios, que nos anos 2000 haviam caído 70%, subiram 7%. “Vamos nos debruçar sobre os números, mas chega uma hora em que é difícil reduzir ainda mais esse tipo de crime”, diz Ferreira Pinto. Para o coronel Alvaro Batista Camilo, comandante- geral da PM, 80% dos homicídios estão relacionados a drogas e álcool e são praticados em bares e pontos de tráfico da periferia. Sobre as seis mortes registradas em apenas três dias no Guarujá na se- mana retrasada, Ferreira Pinto assegura que a Polícia Civil está investigando e que “tudo leva a crer se tratar de disputa entre quadrilhas” de traficantes. “Enviamos a cavalaria, o canil e cinquenta homens da Rota para reforçar o policiamento.”

Tantos abacaxis para ser descascados e tanto apetite para mexer em assuntos delicados ao longo da carreira lhe renderam inimizades. “Várias pessoas que eram minhas amigas históricas se voltaram contra mim. Mas faz parte. Quem não tem inimigos não tem amigos”, filosofa. Seu rol de desafetos era maior (e mais perigoso), no entanto, quando comandou a Secretaria da Administração Penitenciária. À época, escutas telefônicas desvendaram um plano, já adiantado, para matar Ferreira Pinto e seu adjunto. “Os líderes do PCC diziam para um advogado do lado de fora do presídio que dinheiro não era problema.” A segurança foi reforçada e o advogado, preso. Com o término de sua gestão chegando — nada garante que continue no cargo mesmo em um eventual novo governo estadual do PSDB —, ele jura que não almeja voos mais altos. “Quero voltar para o Ministério Público, ir para o Pacaembu de bermuda, sem segurança, e ter mais tempo para curtir minha neta.” Se um novo muy amigo não aparecer no caminho, ele poderá fazer tudo isso.

Cinco décadas de polícia

1962 - Aos 19 anos, Antonio Ferreira Pinto entra na Academia de Polícia Militar do Barro Branco

1968 - Serve como tenente em Bauru

1970 - Serve como capitão em Ourinhos

1975 - Forma-se em direito no Paraná

1979 - Torna-se promotor de Justiça Criminal

1989 - Trabalha como assessor da Corregedoria-Geral do Ministério Público

1993 - Cria a Secretaria de Administração Penitenciária e atua como secretário adjunto

1998 - Forma-se procurador de Justiça

2006 - É empossado secretário de Administração Penitenciária

2009 - Aos 65 anos, assume a Secretaria de Segurança Pública


Delegado-geral da Polícia Civil: "reduzi os homicídios em 70%"

Domingos Paulo Neto foi empossado delegado-geral em 2009, o posto mais alto da carreira

Por Henrique Skujis | 05/05/2010

O delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto: adeus ao  vermelho nas viaturas

O delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto: adeus ao vermelho nas viaturas

por Fernando Moraes

Apenas Domingos Paulo Neto foi de terno e gravata. Era o primeiro dia de trabalho após dois anos de curso na Academia da Polícia Civil. Na hora da divisão das funções, o figurino lhe rendeu a melhor delas: fazer parte da escolta do delegado-geral da época. Corria o ano de 1976 e Domingos acabava de completar 19 anos. O episódio talvez explique algumas das medidas tomadas mais de três décadas depois, em março de 2009, quando ele foi empossado delegado-geral, o posto mais alto da carreira.

Domingos pediu aos delegados que passassem a vestir terno e gravata e tirou a cor vermelha das viaturas para baratear o conserto dos veículos acidentados e fazer um resgate histórico: os carros da Polícia Civil sempre foram pintados com as cores preta e branca. Além disso, acabou com os símbolos que representavam os diversos departamentos da Polícia Civil. “Tinha cachorro, coruja, tigre, águia...”, diz. “Agora, o único emblema é o da Polícia Civil.”

Desde o primeiro dia como policial (aquele do terno e da gravata), o paulistano Domingos, 53 anos, nascido e criado no Glicério, mantém um diário no qual relata, sem uma falta sequer, os detalhes das operações das quais participou. A primeira delas, por exemplo, como investigador do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foi a busca ao maníaco do Brás, que matava mulheres e escrevia na parede com batom, esmalte ou sangue o nome da próxima vítima. “Após muita investigação, com direito a esconderijo dentro do armário de um hotel, a captura não foi possível porque nosso Fusca movido a álcool demorou para pegar.”

Como delegado titular, passou por cidades como Catanduva, onde se casou, e Catiguá. De volta à capital, um entrevero político fez com que sua carreira voltasse quase meia década. Foi remanejado como delegado assistente para distritos barras-pesadas na periferia de São Paulo, como Parada de Taipas, Parque Santo Antônio e Campo Limpo. “Não reclamei. Minha passagem por esses lugares foi uma lição de vida.” A sorte sorriu para Domingos em 1995, quando sua delegacia recebeu a visita do governador Mário Covas. “Ele viu os resultados e fui promovido à seccional de Santo Amaro.”

O passo mais largo, no entanto, veio quando Domingos assumiu a direção do DHPP. Durante sua gestão, entre 2001 e 2007, o número de homicídios despencou 70% no estado. Houve três estratégias para a relevante queda. “Fixamos equipes nos bairros para que os policiais pudessem conhecer melhor os locais e os moradores, usamos tecnologia para mapear cada tipo de crime por região e, por último, permitimos que os investigadores realizassem prisões.” No ano seguinte, ele foi para o Departamento de Inteligência (Dipol). Durante a greve da Polícia Civil, recusou-se a demitir um delegado a pedido de superiores. “Não queria cometer com ele a injustiça que fizeram comigo.” A atitude foi muito bem recebida pela corporação e, claro, está em destaque no seu diário.


Comandante-geral da PM: "o pior bandido é o de farda"

Desde 16 de abril de 2009, quando tomou posse, diz trabalhar doze horas por dia, sete dias por semana

Por Henrique Skujis | 05/05/2010

Alvaro Batista Camilo, comandante-geral da PM: ao ser nomeado,  deixou outros 36 coronéis para trás

Alvaro Batista Camilo, comandante-geral da PM: ao ser nomeado, deixou outros 36 coronéis para trás

por Fernando Moraes

O avô foi cabo da antiga Força Pública no início do século passado, lutou na Revolução de 1932, tomou dois tiros e foi preso. O pai chegou a sargento. O irmão mais velho também seguiu carreira militar e foi tenente-coronel. A filha já é aspirante a oficial. Não é exagero dizer que a Polícia Militar está no sangue do coronel Alvaro Batista Camilo.

Nascido em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, Camilo entrou na Academia de Polícia do Barro Branco em 1978, aos 17 anos. Patrulhou o centro de São Paulo, passou pelo Corpo de Bombeiros e foi parar na área de inteligência do Estado-Maior e da Secretaria de Segurança Pública. Em maio de 2007, foi promovido a coronel e ganhou “de presente” o comando da região central.

“Acontece tanta coisa no centro que precisei saber lidar com os mais diversos públicos: punks, professores, lojistas, GLS, o pessoal da galeria do rock, moradores de rua, ONGs...” Em seu primeiro ano de ação na área, caíram todos os índices de criminalidade (desde pequenos furtos até homicídios). O episódio mais marcante de sua passagem pelo centro foi a desocupação da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, em agosto de 2007. Sob seu comando, a polícia conseguiu retirar sem uso de violência dezenas de alunos que planejavam acampar no prédio.

“Eu não conhecia o governador nem o secretário. Por isso, creio que foram esses resultados que fizeram com que eu fosse chamado para o comando- geral”, diz Camilo. Sua escolha causou polêmica no alto escalão. Jovem (49 anos completados na sexta 30), era o 37º coronel mais antigo da lista de 61. Como antiguidade no posto é um dos critérios hierárquicos da PM, pode-se dizer que deixou para trás 36 coronéis — nove deles, insatisfeitos, chegaram a pedir baixa após a indicação. Logo ao assumir, propôs que a corporação voltasse a se chamar Força Pública, nome que tinha até 1970. “Não conseguimos tirar o estigma que a Polícia Militar ganhou nos tempos da ditadura. Creio que esse nome aproximaria a corporação da população.”

Desde 16 de abril de 2009, quando tomou posse, diz trabalhar doze horas por dia, sete dias por semana. “Nos fins de semana, a mulher vem junto comigo para o quartel.” Conseguiu realizar concursos para aumentar o número de policiais (“Vamos passar dos 95 000”), instalou localizador nas viaturas, trocou a arma-padrão da corporação, que era um revólver 38, para pistola 40 milímetros (“A munição não transpassa o alvo atingido”) e deu força e visibilidade à corregedoria (“Expulsei um PM que roubou seis pares de meia numa loja do centro e já mandei prender até um coronel de três estrelas”). Fica indignado com policiais fora da lei. “O pior bandido é o de farda."

Fonte: Veja São Paulo